Abre os olhos e vê a luz ofuscar suas pupilas…Fecha os olhos…Abre um deles…Respiração ofegante, pensamento agitado: “Caí do céu” ou “Será que anotaram a placa da jamanta que passou por cima de mim?” O dia clareou e ele nem viu, sozinho na cama, sentindo uma vontade gigante de mijar, olha pra os lados e lembra que depois que o dia clareia “é hora de estar chegando na mesa de trabalho” (…) Será que este é meu destino?
Levanta da cama, vai até a privada e sente um alívio: “Não! Vou voltar pra cama, dormir mais um pouco, não quero respostas, nem mandamentos, muito menos ver a cara das minhas hipócritas colegas de trabalho sorrindo um sorriso-amarelo-pra-ser-educada-com-olhar-de-”tô sem paciência”. Sinceramente o mundo não vai parar, não vou mudá-lo e as pessoas não vão se importar, a não ser que isso mude os planos delas…e quer saber? Que elas façam planos que não envolvam os outros…
Um dia ele acordou sem paciência de vestir a velha máscara, quis ficar de pijama o dia inteiro, sem celular por perto, sem a obrigação de ver as caras que precisam se aturar pro mundo ser civilizado…Apertou o botão do “foda-se” e pediu pra ser ele mesmo, olhar pra o espelho a barba por fazer e entender onde estava antes de entrar na roda gigante que não parou nunca mais pra ele descer…
Só que o dia passou tão rápido e ele ficou tão perdido tentando desenredar de si mesmo, na mistura preparada pra estar com os outros, que foi preciso mais um dia, e outro mais, e outro, pra ele olhar em volta e ver que aquele era só um dia, diante dos passos de volta - na correria de andar descalço em cascalhos por aquela praia sozinho, podendo gritar e ver que era outro dia, um dia novo, e que não voltaria mais àquele dia cinzento que ofuscava seu olhar!
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